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Investidor procura startup para inclusão financeira

O avanço das fintechs na América Latina é visível. Aumentou não só o número de empresas mas também o apetite de investidores e fundos de venture capital por startups da região. Iniciativas em países como México, Colômbia, Chile e Argentina têm potencial de crescimento, principalmente com o objetivo de melhorar a inclusão financeira. É um desafio em comum, e no Brasil não é diferente. Há cerca de 60 milhões de desbancarizados no país, segundo o estudo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Bruno Diniz, presidente do comitê de fintechs da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o mercado latino-americano traz oportunidades para a evolução das fintechs por ineficiências, desigualdades e altas taxas cobradas por bancos, em especial para pequenas empresas. E os países começam, ainda que de maneira tímida, a unir esforços para desenvolver o ecossistema na região. “A inclusão financeira é desafio comum de quase todos os países, tirando alguns aspectos culturais específicos”, diz. Criada no ano passado, a Alianza Fintech Iberoamericana é um exemplo dessa parceria entre as nações.

Para Diniz, à medida que a regulamentação avança, dando mais segurança a empreendedores e investidores, a tendência é de aumento na quantidade de startups na América Latina. Apesar de o Brasil liderar o número de iniciativas, é no México que a legislação anda a passos mais acelerados. Em março, o país foi o primeiro a sancionar uma lei específica sobre fintechs. O documento, conhecido como Ley Fintech, regula serviços financeiros prestados por empresas de tecnologia, incluindo questões relacionadas a crowdfunding, meios de pagamento e normas que envolvem transações utilizando criptomoedas, como bitcoin.

Jorge Ortiz, managing partner do Fintech Hub México, diz que uma das principais promessas das fintechs do país é a inclusão financeira, mas o desafio é cumprir o prometido. Segundo ele, pessoas de baixa renda que têm conta em banco vão a cada 15 dias a uma agência para fazer saques. Isso porque comerciantes, principalmente os pequenos, aceitam pagamento apenas em dinheiro vivo. “Os bancos cobram caro de comerciantes que, sem acesso a crédito, recorrem a entidades informais, cujos empréstimos têm taxas muito altas”, diz. É aí que está um dos nichos de atuação para as fintechs.

Um dos destaques no país é a Konfio, plataforma on-line de empréstimos para microempresas. Fundada em 2013, a startup levantou US$ 18,1 milhões em rodadas de investimento, incluindo recursos captados de fundos como QED Investors, Kaszek Ventures, Quona Capital e Jaguar Ventures, além do International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial. Outro exemplo é a Clip, cujo leitor de cartões possibilita aos usuários aceitar pagamentos com cartão de crédito por meio de smartphones e tablets.

Startups de pagamentos e empréstimos on-line são as que mais crescem tanto no México quanto em outros países, como Colômbia, Chile, Argentina e Peru. “Alguns players no segmento de pagamentos de carteiras digitais acabam atingindo pessoas não bancarizadas, aumentando o nível de acesso aos produtos e serviços financeiros”, destaca Edwin Zácipa, diretor executivo do Colômbia Fintech. Ainda assim, segundo ele, é muito difícil implementar novas soluções no setor financeiro colombiano. Agora que as agências regulatórias estão começando a olhar mais para o setor.

Zácipa observa que 77% dos colombianos têm conta bancária, mas 60% utilizam produtos ou serviços financeiros. Além disso, 40% têm acesso a crédito, mas apenas 20% possuem cartão de crédito. Assim como um contingente grande de pessoas físicas não está incluída no sistema financeiro, os pequenos negócios também encontram dificuldades. “Notamos uma preocupação das fintechs em desenvolver soluções para PMEs, um mercado um tanto desassistido pelos bancos”, afirma Caroline Capitani, vice-presidente de negócios e inovação da empresa de TI ilegra. É o caso da colombiana Mesfix, plataforma de negociação on-line conecta pequenas e médias empresas a investidores. Já a Alegra oferece gestão financeira a empresas de pequeno porte.

Disponível em: http://www.valor.com.br/financas/5606475/investidor-procura-startup-para-inclusao-financeira